Gestante e bebê no Bolsa Família: os adicionais e como garantir
Grávida ou com bebê recém-nascido no Bolsa Família? Veja quais adicionais existem, por que o pré-natal registrado conta e quando incluir o bebê no CadÚnico.
Neste artigo (8)
Quais adicionais existem
A Lei 14.601, de 2023, é a lei do Bolsa Família. Ela prevê alguns valores extras para famílias com crianças pequenas e grávidas. Os que interessam aqui são três:
- Adicional de gestante: para a família que tem uma pessoa grávida. Faz parte do Benefício Variável Familiar.
- Adicional de nutriz: para a família com bebê pequeno, na fase de amamentação. Também faz parte do Benefício Variável Familiar.
- Benefício Primeira Infância: pago por criança de 0 até 7 anos incompletos.
Esses valores se somam ao valor básico que a família já recebe. Os números em reais são definidos pelo governo e podem ser reajustados. Veja o valor atual na página de pagamentos do Bolsa Família, no site do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
Para entender a conta inteira, leia como o valor do Bolsa Família é montado.
Grávida: o caminho para receber o adicional
Aqui está o ponto que mais confunde. O adicional de gestante não se pede no CRAS. Ele depende da área da saúde.
O passo a passo é este:
- Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS), o posto de saúde mais perto de casa.
- Leve NIS, CPF e um documento com foto.
- Comece o pré-natal e diga que a família recebe Bolsa Família.
- Peça para a equipe registrar a gestação no sistema da saúde.
- Vá às consultas marcadas e leve sempre o cartão da gestante.
Depois desse registro, o Ministério da Saúde passa a informação para o MDS. Segundo o MDS, a liberação do adicional pode levar até três meses. Por isso, comece o pré-natal cedo.
Regras que o MDS explica
- A pessoa precisa ainda estar grávida quando a saúde a identifica.
- O cadastro da família precisa estar atualizado nos últimos 24 meses.
- O adicional é pago em parcelas mensais. Hoje o MDS informa nove parcelas.
- Se o bebê nascer antes do fim das parcelas, elas continuam até completar.
- Existe um intervalo: quem recebeu esse adicional nos últimos 12 meses não recebe de novo por outra gravidez nesse período.
O nome não aparece no posto de saúde
Às vezes a UBS não acha o nome da gestante na lista de acompanhamento. O MDS aponta dois motivos comuns.
O primeiro é erro no cadastro. Se o CadÚnico marcou a pessoa com sexo masculino por engano, o sistema da saúde não registra a gestação. A solução é corrigir o dado no CRAS ou no posto do Cadastro Único.
O segundo é a data. A lista da saúde é gerada em janeiro e julho, com atualizações em abril e outubro. Se a família entrou no Bolsa Família depois da última lista, o nome pode demorar a aparecer. Enquanto isso, faça o pré-natal normalmente.
O bebê nasceu: o que fazer
Com o bebê em casa, a tarefa é uma só: incluir a criança no CadÚnico. Sem isso, o governo não sabe que ela existe.
Leve ao CRAS ou ao posto do Cadastro Único:
- certidão de nascimento do bebê;
- CPF do bebê, se já tiver (muitos cartórios já emitem junto com a certidão);
- documento com foto do responsável familiar;
- NIS ou CPF de quem já está no cadastro.
O MDS orienta incluir o bebê até o 6º mês de vida para a família ter acesso ao adicional de nutriz. Depois de incluído, a criança também passa a contar para o Benefício Primeira Infância. Veja os detalhes em como atualizar o CadÚnico.
Um exemplo de conta
Imagine uma família com mãe e um filho de 4 anos. A mãe engravida.
Use números redondos só para entender a lógica (não são os valores oficiais):
- valor que a família já recebia: R$ 700;
- adicional de gestante, num exemplo: R$ 50 por mês;
- total durante a gravidez: R$ 700 + R$ 50 = R$ 750.
O bebê nasce e é incluído no CadÚnico. Agora a família tem duas crianças pequenas. Ela passa a contar o Benefício Primeira Infância também pelo bebê. A renda por pessoa da família também muda, porque agora são três pessoas. Por isso o valor final pode subir mais do que só um adicional.
Compromissos de saúde que contam
Receber os adicionais traz compromissos. A lei do Bolsa Família exige:
- pré-natal para a gestante;
- vacinas em dia, conforme o calendário nacional;
- acompanhamento do peso e da altura das crianças menores de 7 anos.
Sempre que for atendida na saúde, diga que recebe Bolsa Família e informe o NIS ou o CPF. Assim o atendimento fica registrado. Leia mais em compromissos de saúde e escola.
Quando procurar ajuda
Procure ajuda se:
- já passaram mais de três meses desde o registro na saúde e nada caiu;
- o extrato mostra mensagem de compromisso não cumprido;
- o cadastro tem dado errado que você não consegue corrigir.
Os canais são gratuitos: o CRAS, o setor do Bolsa Família da prefeitura e o Disque Social 121, do MDS. Ninguém precisa pagar intermediário. Se o benefício parou, veja Bolsa Família bloqueado: o que fazer.
Se você trabalha ou já contribuiu para o INSS, pode ter direito também ao salário-maternidade. É outro benefício, com outras regras. Veja salário-maternidade para quem não tem carteira assinada.
Próximos passos
- Se está grávida, marque o pré-natal na UBS esta semana e leve NIS, CPF e documento.
- Peça à equipe de saúde para registrar a gestação e dizer que recebe Bolsa Família.
- Confira no CRAS se o seu cadastro está atualizado e com os dados certos.
- Quando o bebê nascer, tire a certidão e inclua a criança no CadÚnico o quanto antes.
- Acompanhe o extrato do benefício e ligue no 121 se o adicional não cair no prazo.
Perguntas e respostas
Como avisar o Bolsa Família que estou grávida?
Quanto tempo demora para cair o adicional de gestante?
Tive o bebê e não recebi o adicional de gestante. Perdi?
Preciso pagar alguém para incluir o bebê no cadastro?
Fontes oficiais consultadas
Indicadores oficiais
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
Próximas leituras
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