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Compromissos de saúde e escola: o que a família precisa cumprir

Veja quais compromissos de saúde e escola o Bolsa Família cobra, a frequência mínima por idade e o que acontece, passo a passo, se a família não cumprir.

Por Redação Direito Social FácilAtualizado em · 6 min de leitura · Nível iniciante
Neste artigo (8)

Por que existem esses compromissos

O nome é difícil, mas a ideia é simples. O dinheiro ajuda a família agora. A escola e a saúde ajudam as crianças no futuro. Os compromissos ligam as duas coisas.

A Lei 14.601, de 2023, também diz que o poder público tem deveres. Ele precisa oferecer escola, vacina e posto de saúde. E a lei proíbe tratar a família de forma vexatória quando há descumprimento.

Os compromissos da saúde

A lei do Bolsa Família lista três compromissos ligados à saúde.

1. Pré-natal. Toda gestante da família precisa fazer as consultas de pré-natal no posto de saúde, no ritmo que o Ministério da Saúde orienta.

2. Vacinas em dia. As crianças precisam seguir o calendário nacional de vacinação. Leve a caderneta em toda consulta.

3. Peso e altura. Crianças com menos de 7 anos precisam ser pesadas e medidas na unidade de saúde. Esse é o acompanhamento do estado nutricional.

Dica do próprio Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS): sempre que for atendido na saúde, diga que recebe Bolsa Família e informe o NIS ou o CPF. Assim o atendimento fica registrado no sistema.

Se há uma gestante na família, veja também os adicionais para gestante e bebê.

O compromisso da escola

Crianças e jovens de 4 a 18 anos incompletos precisam estar matriculados e ir às aulas. A frequência mínima muda conforme a idade.

Idade Frequência mínima prevista na lei
4 a 6 anos incompletos 60% das aulas
6 a 18 anos incompletos, sem ter concluído a educação básica 75% das aulas

A lei permite que o governo mude esses percentuais por regulamento. Por isso, confira o número em vigor na página de regras do Bolsa Família.

Fazendo a conta

Imagine um mês com 20 dias de aula, para um filho de 10 anos.

  • 75% de 20 dias = 15 dias.
  • Ele precisa ir a pelo menos 15 dias.
  • Pode faltar até 5 dias sem ficar abaixo do mínimo.

Agora uma criança de 5 anos na pré-escola, no mesmo mês:

  • 60% de 20 dias = 12 dias.
  • Ela pode faltar até 8 dias.

Atenção: a escola manda a frequência para o Ministério da Educação (MEC) pelo Sistema Presença. Quem tem falta justificada deve entregar o atestado na secretaria. Quando o filho mudar de escola, avise a nova escola que a família recebe Bolsa Família.

Quem tem filho no ensino médio pode ter também o Pé-de-Meia, que cobra 80% de frequência. Veja Pé-de-Meia: quem recebe.

Quem cumpre o quê na sua casa

Nem todo mundo da família tem compromisso. Depende da idade e da situação de cada pessoa. Um jeito fácil de ver é fazer uma lista.

Imagine uma casa com mãe grávida, um filho de 2 anos, uma filha de 9 anos e um filho de 17 anos:

  • a mãe: pré-natal no posto de saúde;
  • o filho de 2 anos: vacinas em dia, peso e altura;
  • a filha de 9 anos: frequência mínima de 75% na escola;
  • o filho de 17 anos: frequência mínima de 75%, enquanto não terminar o ensino médio.

Pelas regras explicadas pelo MDS, os compromissos recaem sobre gestantes, crianças pequenas e estudantes. Os demais adultos não têm compromisso de saúde ou escola no programa, mas precisam manter o CadÚnico atualizado.

O que acontece se não cumprir

O corte não é imediato. O MDS explica que os efeitos são graduais, conforme o histórico da família:

  1. Aviso. Aparece uma mensagem no extrato. O valor não muda.
  2. Bloqueio. Se acontecer de novo, o benefício pode ficar bloqueado por um mês. O dinheiro pode ser sacado no mês seguinte, junto com a nova parcela.
  3. Suspensão. Se continuar, o benefício pode ser suspenso por dois meses. Nesse tempo, as parcelas não são geradas.
  4. Cancelamento. Com descumprimento contínuo, o benefício pode ser cancelado.

Há um detalhe sobre adolescentes. Se só o adolescente deixa de cumprir a regra da escola, o MDS informa que apenas o valor ligado a ele é afetado. O resto da família continua recebendo. Se o problema for com outro membro, todo o benefício pode ser afetado.

Durante esse caminho, a família pode ser chamada pelo CRAS para acompanhamento. Não é punição. É uma ajuda para entender o que está travando e resolver.

Como recorrer se houve erro

Às vezes a criança foi à escola, mas a frequência foi lançada errada. Ou a vacina foi tomada, mas não foi registrada. Nesses casos, cabe recurso.

Passo a passo:

  1. Veja no extrato qual mensagem apareceu.
  2. Junte provas: atestado, declaração da escola, caderneta de vacina.
  3. Procure o setor do Bolsa Família da prefeitura ou o CRAS.
  4. Peça o recurso por descumprimento de condicionalidade.
  5. Guarde o comprovante do atendimento.

O prazo do recurso segue um calendário do governo. Depois que ele fecha, não dá mais para recorrer daquele aviso. Então vá assim que perceber a mensagem. Se o recurso for aceito, as parcelas que deixaram de ser pagas podem voltar de forma retroativa.

Para outros motivos de bloqueio, leia Bolsa Família bloqueado: os motivos e o caminho para voltar.

Hábitos que evitam problema

  • Guarde a caderneta de vacina e o cartão da gestante numa pasta só.
  • Peça declaração de matrícula no começo de cada ano.
  • Entregue todo atestado médico na escola na mesma semana.
  • Mantenha o CadÚnico atualizado, com escola e endereço certos. Veja como atualizar o CadÚnico.
  • Leia o extrato todo mês, não só o valor.

Tudo isso é gratuito. Nenhum órgão cobra para registrar frequência, vacina ou recurso.

Próximos passos

  1. Confira hoje a caderneta de vacina de cada criança menor de 7 anos.
  2. Marque no posto de saúde a pesagem e a medição das crianças pequenas.
  3. Pergunte na escola se a frequência do seu filho está acima do mínimo.
  4. Leia a última mensagem do extrato do Bolsa Família.
  5. Se houver aviso por engano, vá ao setor do Bolsa Família da prefeitura com as provas.

Perguntas e respostas

Qual a frequência mínima na escola para o Bolsa Família?
A lei do Bolsa Família fala em 60% para crianças de 4 a 6 anos incompletos e 75% para quem tem de 6 a 18 anos incompletos e ainda não terminou a educação básica. O governo pode mudar esses percentuais por regulamento, então confira no site do MDS.
Meu filho faltou por doença. Vou perder o benefício?
Leve o atestado à escola para a falta ser justificada no registro. Se mesmo assim chegar aviso no extrato, procure o setor do Bolsa Família da prefeitura e peça recurso dentro do prazo.
O benefício é cortado logo na primeira falha?
Não. O MDS descreve efeitos graduais: primeiro um aviso no extrato, depois bloqueio, depois suspensão e, só com descumprimento repetido, cancelamento.
Precisa pagar para fazer o recurso?
Não. O recurso é gratuito e feito no setor do Bolsa Família do município ou no CRAS. Não existe despachante oficial para isso.

Fontes oficiais consultadas

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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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