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Cadastro Único

Como se inscrever no Cadastro Único: onde ir e o que levar

Passo a passo para fazer o Cadastro Único pela primeira vez: onde ir, quais documentos levar de cada pessoa e como é a entrevista no CRAS ou no posto.

Por Redação Direito Social FácilAtualizado em · 6 min de leitura · Nível iniciante
Neste artigo (8)

O que é o Cadastro Único

O Cadastro Único (também chamado de CadÚnico) é uma lista do governo com as famílias de baixa renda do Brasil. Ele guarda quem mora na casa, quanto cada um ganha, como é a moradia, se alguém tem deficiência, onde as crianças estudam e outras informações.

Ele foi criado pelo Governo Federal, mas quem faz o cadastro é a prefeitura. Com base nele, o governo escolhe quem pode entrar em programas como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia Elétrica, o Pé-de-Meia e o Gás do Povo.

Quem pode se cadastrar

A regra geral do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) é esta: podem se cadastrar as famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Famílias com renda maior também podem entrar quando algum programa ou serviço exige o cadastro.

O valor do salário mínimo muda todo ano. Por isso, confira o número atual nos canais oficiais do governo antes de fazer a conta. Se você não sabe como calcular a renda da sua família, veja o guia sobre renda por pessoa no CadÚnico.

Quem mora sozinho também pode se cadastrar. Nesse caso, quando o objetivo é receber Bolsa Família ou outro benefício de renda do governo federal, a regra é que a entrevista seja feita na casa da pessoa, com algumas exceções previstas em norma. A prefeitura explica como agendar.

Onde fazer o cadastro

O local muda de cidade para cidade. Em muitas, é no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Em outras, existe um posto só para o Cadastro Único ou um setor do Bolsa Família.

Para achar o lugar certo, você pode:

  1. Abrir o aplicativo Cadastro Único e usar a opção de busca por postos de atendimento (não precisa de senha para isso).
  2. Ir ao CRAS mais perto de casa e perguntar onde é feito o cadastro.
  3. Ligar para a prefeitura e pedir o endereço do setor do Cadastro Único.

Algumas cidades pedem agendamento. Pergunte antes. O guia o que o CRAS faz e como ser atendido mostra os outros serviços que você encontra lá.

Documentos que você precisa levar

Quem vai à entrevista é chamado de Responsável Familiar. Essa pessoa precisa ter 16 anos ou mais e, de preferência, ser mulher. Ela não precisa levar a família inteira, só os documentos de todos.

Do Responsável Familiar:

  • CPF (de preferência) ou título de eleitor;
  • um documento com foto, como carteira de identidade ou carteira de trabalho;
  • comprovante de endereço, de preferência conta de luz. Se não tiver, dá para assinar uma declaração dizendo onde mora.

De cada pessoa que mora na casa, pelo menos um destes:

  • CPF (o mais indicado);
  • título de eleitor;
  • certidão de nascimento ou de casamento;
  • carteira de identidade ou carteira de trabalho.

Ajuda levar também: comprovante de matrícula das crianças e jovens até 17 anos (ou o nome da escola de cada um) e a carteira de trabalho de quem tem.

O CPF é a principal forma de identificar cada pessoa. Quem ainda não tem CPF pode começar o cadastro, mas ele fica marcado como "aguardando CPF" e pode ser excluído se o documento não for apresentado no prazo. Por isso, tire o CPF de todos o quanto antes. O guia documentos para pedir benefício ensina a montar uma pasta com tudo.

Famílias indígenas e quilombolas têm regras próprias de documento. Pessoas que dependem de tutor, curador ou guardião podem ser cadastradas pelo Representante Legal, que leva o CPF e o papel que prova a representação.

Como é a entrevista

O atendente da prefeitura faz perguntas e preenche um formulário no computador. A conversa costuma levar perto de uma hora. Vá com tempo e, se puder, deixe as crianças com alguém.

As perguntas falam de:

  • quem mora na casa e o parentesco de cada um;
  • quanto cada pessoa ganha, com ou sem carteira assinada, incluindo bicos;
  • como é a casa: material, água, luz, esgoto, número de cômodos;
  • gastos fixos, como aluguel, luz e água;
  • escola, trabalho e deficiência de cada pessoa.

Responda a verdade. Os dados são cruzados com outros cadastros do governo, como o do INSS. Informação errada pode levar a bloqueio do benefício. Se não lembra de algum valor, diga uma média.

No fim, você recebe um número chamado NIS (Número de Identificação Social), se ainda não tiver um. Guarde bem esse número: ele aparece no cartão do Bolsa Família e define o dia do pagamento.

Um exemplo para entender

Imagine a Joana. Ela mora com dois filhos de 8 e 11 anos. Trabalha como diarista e ganha, em média, R$ 900 por mês. O pai das crianças não mora com eles.

Joana separa: o RG e o CPF dela, a conta de luz da casa, o CPF dos dois filhos e o nome da escola deles. Vai ao CRAS numa manhã, espera a vez e faz a entrevista. Ela declara que a família tem três pessoas e uma renda de R$ 900.

Na conta do cadastro, R$ 900 divididos por 3 pessoas dá R$ 300 por pessoa. É esse número que os programas olham, cada um com a sua regra, que Joana confere no site do MDS ou no CRAS.

Depois do cadastro

O cadastro não dá dinheiro sozinho. Ele coloca a sua família na lista que os programas consultam. Alguns benefícios exigem um pedido próprio, como o BPC no INSS.

Depois da entrevista, você pode baixar o aplicativo Cadastro Único e entrar com a conta gov.br para ver se os dados ficaram certos. O passo a passo está no guia consultar o CadÚnico pelo celular.

Também é preciso manter tudo em dia. Mudou de casa, alguém nasceu, alguém saiu ou a renda mudou? Volte ao posto. Mesmo sem mudança, a atualização é exigida a cada dois anos. Veja como atualizar o CadÚnico.

Desconfie de quem promete "garantir" benefício, cobra taxa ou pede sua senha do gov.br. Nenhum órgão oficial faz isso. O guia sobre golpes com benefício social mostra os sinais mais comuns.

Próximos passos

  1. Junte hoje o CPF de todos que moram na sua casa e um comprovante de endereço.
  2. Descubra o posto do Cadastro Único da sua cidade pelo aplicativo, pelo CRAS ou pela prefeitura.
  3. Pergunte se o atendimento é por agendamento ou por ordem de chegada.
  4. Faça uma lista simples com quanto cada pessoa da casa ganha por mês.
  5. Depois da entrevista, anote o seu NIS e guarde o comprovante em lugar seguro.

Perguntas e respostas

Dá para fazer o Cadastro Único pela internet?
Não por completo. O cadastro só vale depois da entrevista feita por um atendente da prefeitura, no CRAS, num posto de cadastro ou na sua casa. O aplicativo serve para consultar os dados e achar o posto mais perto.
Preciso pagar alguém para fazer o CadÚnico?
Não. O Cadastro Único é gratuito e não existe despachante ou intermediário oficial. Quem cobra para fazer o cadastro ou promete aprovação está agindo por conta própria.
Toda a família precisa ir junto à entrevista?
Não. Basta uma pessoa da família com 16 anos ou mais, de preferência mulher, que vai responder por todos. Ela precisa levar os documentos de cada pessoa que mora na casa.
Fazer o Cadastro Único já garante o Bolsa Família?
Não. O cadastro é a porta de entrada. Cada programa tem regras próprias e faz a sua seleção. Estar no CadÚnico com os dados certos é o primeiro passo para ser analisado.

Fontes oficiais consultadas

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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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